quarta-feira, 3 de novembro de 2010

EMPENHO de VIDA – Novembro de 2010

”Façam tudo sem murmurações e sem críticas” (Fil. 2,14)

Paulo no seu hino cristológico acaba de apresentar Jesus, esvaziado de si (kénosis) e exaltado por Deus, como o verdadeiro fundamento do viver cristão. Ele fala por experiência própria. “Para mim viver é Cristo...” (Fil. 1,21) – diz Paulo – e indica a “vida de Cristo” como verdadeiro ideal de todo discípulo de Jesus. Quem segue Jesus se esvaziará de si e será exaltado por Deus. No viver em Cristo o discípulo lutará para mudar sua vida e fazer com que ela se pareça sempre mais à de Jesus, para sentir com os sentimentos dEle e agir com o Seu modo de agir. A Palavra do Empenho de Vida, que queremos pôr em prática neste mês, ”Façam tudo sem murmurações e sem críticas” toca uns pontos estratégicos desta luta espiritual. Eles são a “murmuração” e a “crítica” como atitudes em negativo que, ao contrário de fazer-nos morrer a nós mesmos, como fez Jesus na kénosis (esvaziamento de si), abrindo-nos para uma vida cheia de amor, nos fecham em nós mesmos fazendo com que nos tornemos o metro para medir tudo.
A “murmuração e as “críticas” foram as preocupações maiores de pe. Ottorino na formação de seus religiosos. Para ele eram as causas principais do rebaixamento do nível da “vida em Cristo”, que deve ser caracterizada pelo amor aos irmãos. Com a murmuração e a crítica, nas comunidades, se cria um clima de asfixia em que morrem a vida fraterna e a comunhão. Neste ponto pe. Ottorino se inflamava de “santa intransigência”, considerando a luta espiritual para erradicar a murmuração e a crítica como essencial ao carisma que Deus lhe havia dado. O carisma apresentava como ideal uma “revolução” no modo de viver o cristianismo, a “unidade na caridade”. Diz pe. Ottorino: “Se resmungares, se ficares zangado, se falares mal do outro, é inútil para ti ter abraçado o cristianismo” (ver texto abaixo). Lutar contra a murmuração e a crítica são exigências do Evangelho indispensáveis para que possamos nos definir cristãos. Naturalmente nesta caminhada de luta espiritual devemos pedir ajuda a fim de aprender a não maravilharmo-nos pelos impulsos de murmuração e de crítica que, inevitavelmente, nos assaltam e para saber vivê-los de modo que seja salvaguardado o amor.

Como viver, então, a Palavra do Empenho de Vida deste mês?
Tomando a sério o empenho para “não murmurar” e para “não criticar” e, na nossa caminhada ascética, pedir ajuda a uma irmã ou a um irmão para corrigir-nos sobre isso.

Cristo quer caridade
Estou verdadeiramente em dia com a caridade? Estou verdadeiramente em dia com as exigências do Evangelho? O Senhor, de fato, pediu exatamente isso: o amor ao próximo. “Se resmungares, se ficares zangado, se falares mal do outro, é inútil para ti ter abraçado o cristianismo”. Devemos amarmo-nos! Os outros são unidos num certo modo, e nós devemos ser unidos em Cristo. E Cristo pede como primeira coisa: “Se queiram bem; tendes compaixão uns para com os outros”. Para estar com Cristo é necessário, antes de tudo, estar em paz entre nós. Parece-me que este deveria ser o vínculo que nos une. A união fraterna é a lógica conseqüência do desejo ardente que cada um de nós deve ter de levar a união com Cristo ao mundo inteiro. De fato, Cristo nos disse: “Eu quero que todos sejam um, que os homens se amem” (cfr. Jo 13,34).
(Pe. Ottorino)

0 comentários: