quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Empenho de vida – Fevereiro 2011

CAMINHAR NA LUZ

“Se caminharmos na luz, como Deus está na luz, estamos em comunhão uns com os outros” (1 Jo. 1,7)

É profundamente sugestiva a primeira definição de Deus que encontramos na carta de João: “Deus é luz e, nele, não há trevas” (1Jo 1,5). Deus é a origem de toda claridade, de todo esplendor, de toda beleza. É Aquele que, com sua luz, nos faz enxergar a luminosidade que há em nós, emanação de Sua própria luz, e, ao mesmo tempo, diminui as trevas que se juntam acima de nós quando tornamos opaca a nossa luz, fechando-nos em nós mesmos, que é nosso verdadeiro pecado.
Se O reconhecermos e abrirmos as janelas de nossa existência à luz, que vem da comunhão de Deus Trindade, voltamos a sermos luminosos da mesma luz de Deus e sentimo-nos em comunhão entre nós. É o que queremos viver neste mês, transformando em vida a Palavra do Empenho de Vida: “Se caminharmos na luz, como Deus está na luz, estamos em comunhão uns com os outros”.
“Caminhar na luz” significa, antes de tudo, para nós, como nos diz pe. Ottorino (ver texto abaixo), viver em contínuo contato com Cristo, “Luz dos homens” (Jo. 1,4). Freqüentemente a luz se apaga e nós devemos ligá-la de novo, apertando infinitas vezes o interruptor. Rezava uma canção do nosso repertório, de fineza tipicamente feminina, mas que descreve bem, para todos, a medida de uma intensa relação de amor com o Senhor:
“Sempre ligo de novo a minha lâmpada / sempre se apaga, por quê? / Talvez porque quer dizer-me / que é tudo um jogo de amor”. Este “caminhar na luz”, no contínuo apagar-se e religar-se da luz de uma relação profunda com Jesus Cristo, verdadeiramente faz parte de um ”jogo de amor”, que nos reaviva a alma e nos faz tornarmo-nos extremamente concretos no amor de comunhão com os irmãos para “sermos verdadeiramente família” segundo o coração de Deus. Há uma simultaneidade entre o contato com Cristo e a caridade com os irmãos, diz pe. Ottorino. Naturalmente – especifica o mesmo pe. Ottorino – trata-se de “caridade”, isto é, de uma realidade sobrenatural que vai além da percepção imediata da sensibilidade na relação com os outros, estabelecendo uma relação que toca a profundidade do nosso ser o ser do outro. Neste tipo de relação descobrimos a nós mesmos e aos outros por aquilo que verdadeiramente somos e não por aquilo que aparentamos em superfície e experimentamos, assim, que “somos em comunhão uns com os outros”, num modo absolutamente novo inclusive do ponto de vista humano. É o “novo” que Jesus trouxe desde Sua vida Trinitária até a convivência humana e que nós podemos ter a alegria de viver.

Como viver, então, a Palavra do Empenho de Vida deste mês?

Religando, imediatamente, a luz do contato com Cristo, toda vez que tomamos consciência que está apagada, a fim de manter acesa a nossa “unidade na caridade”.

Para acender a caridade é necessário atar o nosso contato com Cristo

Se quisermos chegar à caridade devemos contemporaneamente realizar o encontro com Cristo. Não há um antes e um depois. Quando se aperta o interruptor, logo se acende a lâmpada: é tão grande a velocidade da luz, que não dá para reparar o tempo que intercorre entre as duas ações. Agora, se quisermos acender a caridade entre nós, é necessário que liguemos o nosso contato com Cristo e, naturalmente, virá a caridade. Então, preocupamo-nos ver além das coisas exteriores, (a caridade será um sinal visível), olhamos se temos, ou não, o contato com o Cristo. Falo de caridade, não de amizade, porque dois amigos podem estar juntos mesmo sem a caridade de Cristo. Aqui se trata de uma caridade que, às vezes, custa. Estar juntos com quem não é simpático, estar juntos com quem tem um dia “não”, estar juntos com quem precisa de uma ajuda: está é a caridade
(Pe. Ottorino, Med. 89,1 de 09 de agosto de 1966).

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