Introdução Abril - Maio – Junho
Nos próximos três meses os Empenhos de Vida estarão marcados por uma exigência de concretude. Somos, de fato, chamados a pôr em prática a Palavra de Deus, contida na primeira carta de João: no “passar da morte para a vida” (abril), no “dar a vida pelos irmãos” (maio), no “amar com os fatos”. Será esta concretude que nos ajudará a “fazer família”, conforme o objetivo que nos propomos para este ano. Porque é o amor concreto, vivido nossas relações diárias, que cria o clima que torna possível a presença de Jesus entre nós. É então que vivemos verdadeiramente “Com Cristo na família”, conforme a expressão de pe. Ottorino. Coloquemo-nos, portanto, a caminho com um grande desejo de sermos concretos. Pe. Ottorino disse, numa palestra aos seus jovens: “Se o definimos ‘Empenho de Vida’ e, depois, não o lembramos, somos levianos”. O primeiro passo que devemos fazer é o de “lembrarmo-nos” da Palavra do Empenho de Vida, isto é, memorizá-la. Recorramos a ela, pois, nos diferentes momentos do dia, talvez nos mais escuros, para iluminá-los com a luz que vem de Deus. Procuremos, finalmente, ver quais efeitos produziu em nós a Palavra nos momentos em que a deixamos atuar em nós. Será sempre uma alegre descoberta constatar seus efeitos e, assim, sentiremos a necessidade de comunicar aos outros a graça que recebemos. Esta comunicação entre irmãos produzirá um clima de grande unidade na caridade com a presença de Jesus entre nós. Eis o Empenho de Vida em seus diferentes passos. Desejamo-nos, reciprocamente, crescer neste importante instrumento de comunhão que pe. Ottorino nos deu como herança.
EMPENHO DE VIDA – Abril 2011
ABRIL: PASSAR DA MORTE PARA A VIDA
“Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama, permanece na morte”. (1Jo 3,14). O mais alto ideal para o homem é viver na comunhão da Trindade, caminhando e permanecendo na luz de Deus. É o que nos esforçaremos em fazer nestes próximos meses do ano nos nossos Empenhos de Vida, conforme a primeira carta de João, nos rastros de pe. Ottorino. Todavia sabemos muito bem que, como todo ideal, deve passar pelo crivo (peneira) da vida concreta. A vida é uma luta para fugir do mal e para fazer o bem. João nos alerta “Não amem o mundo e nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo o amor do Pai não está nele” (1Jo 2,15). Devemos defender-nos, também, de “muitos inimigos”, como os chama João. São as muitas solicitações falsas, para percorrer outros caminhos, aparentemente mais fáceis, e que não nos levam a viver na luz de Deus. Ao contrário, é necessário percorrer a estrada de Jesus para estar em comunhão com o Pai: “Todo aquele que nega o Filho, também nega o Pai. Quem reconhece o Filho, também reconhece o Pai” (1Jo 2,23). Eis, então, a Palavra a ser vivida neste mês no nosso Empenho de Vida: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos aos irmãos. Quem não ama, permanece na morte”. Estas palavras descrevem a própria experiência de João e das comunidades por ele fundadas. O amor aos irmãos é uma passagem da morte para a vida. Uma passagem, com certeza, não fácil, que demanda renúncias e escolhas arriscadas. “Viver a caridade custa”, nos lembra pe. Ottorino. “É preciso pagar completamente a moeda da caridade se quisermos ficar no lugar que o Senhor nos fixou”. (ver texto abaixo). Há uma ligação inseparável entre o amor aos irmãos e a renúncia de si, que este amor acarreta, segundo toda a lógica expressa pela vida e pelas palavras de Jesus, no Evangelho. É uma lógica que encontramos gravada também na nossa experiência humana e todos nós temos dela um imediato conhecimento. Sabem disso os pais que junto à alegria do imenso amor que têm para os filhos, sabem, também, das noites mal dormidas, das ânsias, dos sacrifícios, das renúncias de que é feito este amor. Uma mãe e um pai, freqüentemente, são provados, mas, mesmo assim, nunca desistem de amar seus filhos. O amor aos filhos é o amor mais forte que existe no mundo. Mas, também, o amor dos filhos para os pais, o amor do casal, o amor dos irmãos, para poder subsistir, precisam da “moeda da caridade”. É a lei de todo verdadeiro amor, que queira parecer-se com o de Deus. É no amor de Deus que vivemos a verdadeira vida, passando pela morte a nós mesmos.
Como viver, então, a Palavra do Empenho de vida deste mês?
Amando os irmãos, sobretudo nos momentos em que se experimenta a fadiga de fazer isso, sabendo que nesta própria fadiga há uma grande oportunidade de “Passar da morte para a vida”. Pagar completamente a moeda da caridade Viver a caridade custa. É mais fácil jogar uma frase para ferir do que construir, suportar e oferecer ao Senhor uma ofensa. Isso é possível somente quando, antes, aceito a humilhação por amor a Deus e aceito o peso disso. A natureza humana, mesmo para os santos, diria: “Me fez aquele desaforo? Então, que se vire!” A minha natureza humana é assim e, talvez, a de vocês, também...! Pode ser que não chegamos a isso. Mas, às vezes, pode-se experimentar uma certa alegria, vendo os outros sofrer; talvez não propriamente alegria, mas, com certeza, menos dor, se os problemas acontecem com eles e não conosco! Saibam que a caridade custa, mas é necessário pagar completamente a moeda da caridade se quisermos ficar no lugar que o Senhor nos fixou. Muitas vezes é exatamente um modo de agir, uma frase pronunciada com um tom particular, um sorriso irônico, que podem ser verdadeiras faltas contra a caridade e, talvez, muito mais graves do que tantas outras. (Pe Ottorino, M324, 2-3.6 de 14 de outubro de 1970).
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