“Filhinhos, não amemos com palavras, nem com a língua, mas com obras e de verdade." (Jo 3, 18)
João é um grandíssimo teólogo místico. É quem, entre os discípulos de Jesus, mais penetrou no mistério do Amor de Deus. Porém ele é, ao mesmo tempo, muito concreto e prático. Demonstração disso são, claramente, as palavras de sua carta que vamos tomar como Empenho de Vida para este mês: “Filhinhos, não amemos com palavras, nem com a língua, mas com obras e de verdade. É, para nós, um convite preciso para viver nossa vida cristã e nossa pertença ao carisma de pe. Ottorino, bem ancorados na concretude de nossa experiência quotidiana.
Também pe. Ottorino é um grande místico e, ao mesmo tempo, um homem muito concreto. No texto que citamos repete-nos quase literalmente o que diz João: “Não basta amar somente da boca para fora”, porque o Evangelho deve ser testemunhado com os fatos (ver texto abaixo).
Pe. Ottorino, no molde da experiência de todos os santos, e com os ensinamentos da espiritualidade cristã, está convencido que este “amar” exerce um impacto, inclusive, no “campo social”, em relação ao qual ele está muito sensível. Não teme falar de exploração dos operários, exercida, inclusive, por muitos cristãos, que são cristãos somente da boca para fora, mas não o são de fato. Todavia pe. Ottorino está muito atento em não ensinar-nos simplesmente a manter uma atitude crítica, de denúncia e de protesto, na nossa vida cristã. Ela, ao contrário, exatamente para ter eficácia no contexto social, político, econômico, cultural, deve ser vivida na humildade do dia-a-dia, medindo-nos a nós mesmos com a fadiga e a dificuldade de amar nas pequenas ações, nas relações com as pessoas com quem vivemos lado a lado, na família, na vida de casal, entre pais e filhos, com os colegas de trabalho. Mas, também, nas comunidades religiosas, paroquiais e, certamente, entre nós, chamados a viver o carisma de pe. Ottorino, experimentamos as mesmas fadigas e dificuldades. Exatamente por isso o Empenho de Vida deste mês nos incitará a sermos concretos no nosso ideal de comunhão. Atentos, inclusive, a não criarmo-nos falsas expectativas. Não conseguiremos sempre amar “com os fatos e na verdade”, Seria um sonho irrealizável, que não nos ajudaria a crescer no amor verdadeiro. Se nos mantivermos, ao contrário, na humilde tentativa de tentar amar nas pequenas coisas e com os gestos simples de cada dia, nos tornaremos dóceis instrumentos da Graça que vem de Deus, a única que pode mudar o mundo.
Como viver, então, a Palavra do Empenho de Vida deste mês?
Permanecendo constantemente projetados para amar nas simples ocasiões e circunstâncias do dia-a-dia, sem preocuparmo-nos se, até ao presente, ainda não conseguimos fazê-lo, mas recomeçando sempre de novo.
Não devemos amar só de boca para fora
Os primeiros cristãos, logo que descobriam a Deus, vendiam tudo e davam o arrecadado aos pobres. Se alguém descobre a Deus, a realidade não pode ficar do mesmo jeito, impossível! A vida muda de rumo! Dar-se-ão conta disso, verão coisas maravilhosas, verão algo de verdadeiramente maravilhoso: experimentarão a alegria de assistir a uma revolução, inclusive no campo social. Um cristão que, realmente descobriu a Deus, não pode explorar o operário; um cristão que descobriu a Deus não pode ver um irmão pedindo ajuda e negar-se a fazê-lo. É fácil demais desculpar-se dizendo: “Mas... eu não sei... não saberia o que fazer...”. Se você descobriu a Deus, não pode ficar indiferente (frente à necessidade do irmão).
É preciso amar, não somente da boca para fora, mas com as obras!
(Pe. Ottorino, M134,9-11 do 03 de janeiro de 1967).

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